Operação ‘Rota Clandestina’ combate organização criminosa envolvida com contrabando de cigarros
Investigação identifica estrutura criminosa sofisticada com atuação em diversos estados brasileiros
A Receita Federal do Brasil, em atuação conjunta com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, deflagrou nesta data a Operação “Rota Clandestina”, com o objetivo de desarticular organização criminosa dedicada ao contrabando de cigarros de origem paraguaia, com atuação interestadual.
As investigações apontaram a existência de um grupo estruturado e hierarquizado, responsável pela importação clandestina, armazenamento, transporte e comercialização de cigarros ilegais, com ramificações em diversos estados brasileiros, incluindo Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
Ao longo das apurações, foram identificadas ao menos 12 grandes apreensões, totalizando mais de 1.000.000 de maços de cigarros, além de movimentação financeira superior a R$ 76 milhões, evidenciando a dimensão e o potencial econômico da atividade ilícita.
Segundo as investigações, os produtos eram adquiridos no Paraguai e introduzidos clandestinamente no Brasil por rotas ilegais na região de fronteira. Em seguida, eram armazenados em depósitos clandestinos em Campo Grande/MS e distribuídos para outras unidades da federação, com o uso de veículos adaptados, transportadoras vinculadas ao grupo e documentação fiscal fraudulenta para simular legalidade.
No aspecto financeiro, foram identificados indícios consistentes de lavagem de dinheiro, mediante uso de empresas de fachada, interpostas pessoas (“laranjas”), movimentações incompatíveis com a renda declarada, transferências fracionadas e utilização de mecanismos informais de remessa de valores ao exterior (“dólar-cabo”).
A investigação contou com análises fiscais e bancárias conduzidas pela equipe de investigação, que evidenciaram incompatibilidades entre rendimentos declarados e movimentações financeiras, além de variação patrimonial sem origem comprovada, contribuindo para o fortalecimento das apurações e o embasamento das medidas cautelares.
Início das investigações
A investigação teve início a partir de informações de inteligência da Polícia Federal, que identificaram indícios da atuação de um grupo organizado voltado ao contrabando de cigarros. A partir desse ponto, foram realizadas diligências integradas e análises fiscais detalhadas, que confirmaram a estrutura e o funcionamento sistemático da organização criminosa.
O grupo atuava de forma estruturada, com divisão de funções entre seus integrantes, incluindo aquisição no exterior, transporte clandestino, armazenamento, distribuição e gestão financeira.
A logística consistia em:
- aquisição de cigarros na região de fronteira com o Paraguai;
- transporte fracionado em veículos para reduzir riscos de apreensão;
- armazenamento em imóveis e estabelecimentos comerciais;
- distribuição em larga escala para outros estados;
- utilização de empresas de fachada e documentos fiscais fraudulentos para dar aparência de legalidade;
- uso de sistemas informais de remessas financeiras e contas de terceiros para ocultação de valores.
- 07 auditores-fiscais da Receita Federal do Brasil e 15 analistas-tributários da Receita Federal do Brasil;
- 62 policiais federais e 17 policiais rodoviários federais.
Compromisso institucional
A Receita Federal reforça seu compromisso com:
- o combate ao contrabando e à concorrência desleal;
- a repressão a organizações criminosas estruturadas;
- a proteção da economia formal e da arrecadação tributária;
- a atuação integrada com órgãos de segurança pública e persecução penal.
A RFB seguirá adotando as medidas fiscais, administrativas e penais cabíveis, conforme o avanço das investigações.
Fonte: Agência Gov / Governo Federal