Leprosário de Paricatuba: Memória viva da história da saúde no Amazonas
Localizado no município de Iranduba, às margens do Rio Negro, o antigo Leprosário de Paricatuba é um dos marcos históricos mais enigmáticos e carregados de memória do Amazonas. O prédio centenário, construído no final do século XIX, foi originalmente concebido como uma escola agrícola, mas logo assumiu outra função: abrigar pessoas acometidas pela hanseníase, então chamada de lepra.
Durante décadas, o leprosário funcionou como uma colônia de isolamento compulsório. Pessoas diagnosticadas com a doença eram enviadas para o local, afastadas da sociedade e, muitas vezes, separadas de suas famílias. No auge do preconceito e da falta de conhecimento sobre a hanseníase, Paricatuba se tornou um lugar de dor, resistência e sobrevivência.
O prédio imponente, com arquitetura marcada por traços coloniais, está hoje em ruínas, mas ainda guarda a força simbólica de uma época em que o combate às doenças tropicais se misturava à exclusão social. Entre paredes desgastadas pelo tempo, ainda é possível encontrar vestígios da vida dos internos: capela, refeitório, enfermarias e um cemitério nas proximidades.

Com o avanço da medicina e o fim do isolamento compulsório, o leprosário foi desativado, mas sua história continua viva na memória de ex-pacientes, moradores locais e pesquisadores. Atualmente, o local é ponto de visitação de historiadores, turistas e curiosos que buscam entender essa parte da história amazônica marcada por sofrimento, mas também por humanidade e superação.
Movimentos culturais e acadêmicos têm lutado para preservar o espaço e transformá-lo em um centro de memória e educação, reconhecendo a importância de Paricatuba como símbolo da luta contra o estigma da hanseníase e da valorização da dignidade humana.
O Leprosário de Paricatuba é, portanto, muito mais que uma construção em ruínas: é um testemunho silencioso de uma época que não pode ser esquecida.

